POTENCIAL DA REGENERAÇÃO NATURAL COMO ESTRATÉGIA PARA RESTAURAÇÃO ECOLÓGICA DA MATA ATLÂNTICA NO ESPÍRITO SANTO

Nome: MÔNICA PAGIO DE ANGELO

Data de publicação: 14/04/2025

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
CRISTIANI SPADETO Examinador Externo
MAURÍCIO LIMA DAN Presidente
PATRICIA BORGES DIAS Examinador Externo

Resumo: Os sucessivos ciclos de uso da terra nas regiões tropicais, impulsionados por atividades agropecuárias e exploração madeireira, causaram fragmentação e perda da cobertura florestal nativa, comprometendo a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos. Nesse cenário, a regeneração natural surge como uma possível estratégia viável para a restauração ecológica, especialmente em áreas com remanescentes florestais e fauna dispersora. O presente estudo buscou investigar o potencial da regeneração natural em áreas com diferentes idades de abandono no sul do Espírito Santo, Brasil, para subsidiar ações de restauração ecológica. Foram avaliadas quatro áreas, em diferentes estágios sucessionais, denominadas como Mata Madura (MM), Capoeira Alta (CA), Capoeira Baixa (CB) e Pasto Sujo (PS). Em cada uma, estabeleceram-se cinco parcelas de 4 m × 8 m (160 m² por área), onde foram inventariados indivíduos com altura mínima de 60 cm e diâmetro entre 2,0 cm ao nível do solo. Foram calculados os parâmetros estruturais de densidade e dominância, diversidade (índice de Shannon (H’) e equabilidade de Pielou) e similaridade florística (índice de Jaccard, diagrama de Venn, escalonamento multidimensional e índice de sobreposição de Morisita-Horn). Foram registrados 526 indivíduos, distribuídos em 33 famílias, 72 gêneros e 118 espécies, com predominância de Sapotaceae, Fabaceae e Myrtaceae. A abundância de indivíduos não diferiu significativamente (p < 0,05) entre MM (155), CA (153) e CB (132), mas o PS diferiu, apresentando os menores valores (86). A diversidade da CA (H’ = 3,43) foi semelhante à de MM (H’ = 3,14), ambas superiores às de CB (H’ = 1,51) e PS (H’ = 0,75). As espécies mais abundantes foram Dalbergia nigra (Vell.) Allemão ex Benth., Actinostemon klotzschii (Didr.) Pax e Varronia curassavica Jacq. As espécies D. nigra e Couratari asterotricha Prance foram classificadas, respectivamente, como vulnerável e em perigo de extinção pela IUCN. As áreas MM e CA tiveram predominância de espécies zoocóricas, indicando um avanço secundário na regeneração natural. Por sua vez, CB e PS tiveram espécies pioneiras e baixa diversidade como fatores predominantes. A similaridade florística entre as áreas foi baixa, além de ser normal em florestas tropicais, a influência do histórico de uso da terra na composição e dinâmica da regeneração florestal pode ter influenciado. A mata madura destacou-se pelo seu estágio avançado de sucessão, com moderada diversidade e presença de espécies indicadoras de estágios mais avançados, como das famílias Lauraceae, Myrtaceae e Sapotaceae, além de ecossistemas mais conservados, representando um referencial para ações de restauração. A capoeira alta, embora em recuperação, apresentou características semelhantes à MM, como alto índice de Shannon e predominância de zoocoria, indicando avanço sucessional consistente. Já a capoeira baixa e o pasto sujo, em estágios iniciais, mostraram predomínio de espécies pioneiras e baixa diversidade funcional. A elevada dissimilaridade florística observada entre as áreas sugere a influência de múltiplos fatores ambientais e ecológicos, reforçando a necessidade de manejo específico para cada local. Estratégias como enriquecimento com espécies zoocóricas e controle de gramíneas invasoras, podem acelerar a sucessão ecológica, promovendo conectividade e complexidade estrutural. Conclui-se que a regeneração natural tem potencial para restauração ecológica, especialmente em áreas menos degradadas como a capoeira alta, enquanto a capoeira baixa e o pasto sujo demandam manejo adaptado para superar limitações na diversidade e recuperação funcional.

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