ÁREAS PRIORITÁRIAS PARA PREVENÇÃO DE INCÊNDIOS FLORESTAIS NA CAATINGA

Nome: MARIANA DE AQUINO ARAGÃO

Data de publicação: 26/03/2025

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
DANILO SIMÕES Examinador Externo
JÉFERSON LUIZ FERRARI Examinador Externo
NILTON CESAR FIEDLER Presidente
PATRICIA CARNEIRO SOUTO Examinador Externo
TELMA MACHADO OLIVEIRA PELUZIO Examinador Externo

Resumo: A Caatinga, Bioma exclusivamente brasileiro, localizada ao nordeste do país, corresponde ao maior núcleo de floresta tropical sazonalmente seca do mundo. Nesse ambiente, os fatores climáticos e ambientais, associados a grande exploração humana, contribuem significativamente para a degradação do ecossistema, tornando-o um dos mais ameaçados do planeta. Apesar de historicamente ser considerada como independente da ação do fogo, ao longo dos anos, a Caatinga tem sido constantemente acometida pelos incêndios florestais, o que pode transformá-la em um Bioma sensível. Nesse contexto, este estudo foi subdividido em dois capítulos com os seguintes objetivos: Capítulo I: analisar o comportamento dos incêndios florestais na Caatinga ao longo de 10 anos (2011-2020), associando a estes eventos as características ambientais que podem impulsionar ou reduzir o risco; Capítulo II: propor um zoneamento de risco de incêndios florestais para o Bioma e, a partir dele, delimitar áreas com maior necessidade de ações preventivas aos incêndios florestais, a fim de proporcionar conservação da biodiversidade local. Para alcançar esses objetivos, foram utilizadas ferramentas de geotecnologia, estatística e computacional. Ao longo dos anos analisados, o ano de 2015 foi o que apresentou maiores áreas queimadas. O estado do Piauí foi espacialmente o de maior vulnerabilidade à ocorrência do fogo. Quanto as características ambientais, regiões com altitudes inferiores a 600 m; temperatura do ar superior a 24 °C; índice de precipitação pluviométrica inferior a 900 mm, severidade de seca variando de fraca a extrema, evapotranspiração potencial superior a 1.500 mm; índice de vegetação por diferença normalizada de vigor baixo a moderado; índice de área foliar inferior a 3,5 e de Formação Savânica são as que mais impulsionaram a ocorrência de incêndios na Caatinga. As variáveis topográficas, declividade e orientação do relevo, isoladamente, não demonstraram características capazes de indicar maior ou menor propensão ao fogo. No que diz respeito a modelagem de risco, o uso da Lógica Fuzzy associada a técnica de Processo de Hierarquia Analítica - AHP, permitiu uma modelagem precisa para o Bioma estudado, com 96,6 % de assertividade, classificando a Caatinga como de alto a muito alto risco à ocorrência de incêndios florestais. As porções norte e oeste da Caatinga, com destaque para os limites com o Bioma Cerrado, foram as regiões onde o modelo indicou muito alto risco de incêndios. Assim como observado no histórico de ocorrência, o estado do Piauí obteve maior representatividade de áreas para a prevenção aos incêndios, seguido da Bahia e Ceará. De modo geral, as vegetações inseridas em propriedades privadas têm maior necessidade de proteção (92,02 %) devido à fragmentação e à proximidade com atividades agrícolas. As unidades de conservação e terras indígenas englobaram 7,98 % das áreas onde devem ser adotadas medidas de prevenção aos incêndios florestais, com destaque para a categoria de uso sustentável, modalidade Área de Proteção Ambiental. Neste contexto, esses resultados indicam a necessidade de gestão pública que previnam a ocorrência de incêndios em um Bioma até então considerado independente do fogo, principalmente em áreas particulares e na transição Caatinga-Cerrado.

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