IMPACTO DE ESPAÇOS VERDES URBANOS NO BEM-ESTAR E CONFORTO TÉRMICO DE PEDESTRES: AVALIAÇÃO QUALITATIVA INTEGRADA COM TERMOGRAFIA

Nome: LUCIÉLIA LACERDA DA SILVA

Data de publicação: 10/11/2025

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
CRISTIANE COELHO DE MOURA Examinador Interno
FLÁVIO CIPRIANO DE ASIS DO CARMO Examinador Externo
NILTON CESAR FIEDLER Presidente
REJANE TAVARES BOTREL Examinador Externo
RICARDO HIDEAKI MIYAJIMA Examinador Externo

Resumo: Este estudo teve como objetivo investigar a influência dos espaços verdes urbanos sobre o bem-estar e o conforto térmico. Foram analisadas a amplitude das temperaturas superficiais e do ar, bem como o conforto térmico em cenários arborizados e não arborizados. Além disso, buscou-se avaliar a possibilidade de estimar o Índice de Bulbo Úmido e Termômetro de Globo (IBUTG) a partir da temperatura superficial, bem como de visualizar cenários futuros de mudanças climáticas. A metodologia incluiu a definição de dias típicos de inverno, a caracterização sociodemográfica dos pedestres e a avaliação do bem-estar por meio da escala de afetos positivos e negativos associada ao método de Avaliação Ecológica Momentânea. A temperatura superficial foi obtida por aerolevantamento com sensor térmico, em três horários (6h, 12h e 16h), em locais arborizados e não arborizados de vias centrais do município de Jerônimo Monteiro (ES). Paralelamente, dois medidores de estresse térmico registraram dados a cada cinco minutos, em condições de sombra e de sol, entre 6h e 16h. Para a análise de mudanças climáticas, foram considerados o cenário positivo (RCP 4.5) e negativo (RCP 8.5) para o período de 2071 a 2100. A análise do conforto térmico seguiu a Norma Regulamentadora nº 15 e a Norma de Higiene Ocupacional nº 06, utilizando modelos de regressão linear múltipla e o algoritmo de aprendizado de máquina Random Forest. Os resultados indicaram que o bem-estar, avaliado pela média dos afetos, não diferiu significativamente entre os períodos do dia nem entre áreas arborizadas e não arborizadas. Contudo, observou-se uma polarização mais acentuada entre afetos positivos e negativos no cenário não arborizado. Em geral, emoções positivas predominaram, especialmente “atento”, “determinado” e “alerta”, enquanto “culpado”, “hostil” e “apavorado” foram pouco mencionadas. As áreas arborizadas apresentaram maior amplitude térmica, alcançando 13,46 °C entre condições de sombra e sol, confirmando sua importância na regulação do microclima urbano. O IBUTG pôde ser estimado a partir da temperatura superficial: na regressão linear múltipla, o R² ajustado variou de 0,238 a 0,962, enquanto no Random Forest alcançou 0,835 em áreas arborizadas e 0,890 em áreas não arborizadas. A regressão linear múltipla apresentou limitações, exigindo a segmentação por períodos horários e pela separação entre sombra e sol para atender aos pressupostos estatísticos. A modelagem da temperatura do ar via regressão linear múltipla mostrou ajuste apenas para o cenário não arborizado (R² ajustado entre 0,844 e 0,985). Com Random Forest, o R² ajustado variou de 0,800 a 0,949 entre os cenários. Assim, foi possível espacializar, com alta resolução (1 m²), os cenários de mudanças climáticas positivos e negativos nas áreas estudadas. As projeções climáticas mostraram que as temperaturas máximas, em ambos os cenários, ocorrerão às 16h. No cenário arborizado, as temperaturas máximas estimadas variaram de 27,30 a 34,62 °C no RCP 4.5 e de 29,73 a 37,05 °C no RCP 8.5. No cenário não arborizado, as máximas também se concentraram às 16h, variando de 23,09 a 26,40 °C (RCP 4.5) e de 26,95 a 30,26 °C (RCP 8.5).

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