TRANSPIRAÇÃO E RESPOSTAS FISIOLÓGICAS DE PLANTAS JOVENS DE Eucalyptus SOB DIFERENTES NÍVEIS DE RESTRIÇÃO HÍDRICA
Nome: ALINE BESTETI SALUCCI BENEVIDES
Data de publicação: 25/07/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| JOSE EDUARDO MACEDO PEZZOPANE | Presidente |
| JOSÉ RICARDO MACEDO PEZZOPANE | Examinador Externo |
| ROGÉRIO DE SOUZA NÓIA JÚNIOR | Examinador Externo |
Resumo: No Brasil, as plantações de eucalipto vêm se expandindo rapidamente, representando aproximadamente 76% das áreas de florestas plantadas. No entanto, os plantios florestais apresentam elevada sensibilidade hídrica, especialmente nas fases iniciais de estabelecimento no campo. Essa característica evidencia a importância de quantificar com precisão o consumo real de água pelas plantas, não apenas para otimizar o manejo hídrico, mas, principalmente, para compreender os limiares fisiológicos frente às condições de estresse ambiental. Diante disso, o presente estudo teve como objetivos avaliar o desempenho de um método de estimativa da transpiração e investigar os efeitos da restrição hídrica em plantas jovens de eucalipto. Para isso, a pesquisa foi dividida em duas etapas. Na primeira etapa, mudas do hídrido Eucalyptus urophylla × Eucalyptus grandis (clone I144) foram transplantadas para vasos de 120 litros, preenchidos com substrato comercial enriquecido com fertilizante de liberação controlada. Durante 147 dias, a umidade do substrato foi mantida em 90% da capacidade máxima de retenção de água (CMRA), e a transpiração das plantas foi monitorada por meio de um sistema de plataformas lisimétricas. Paralelamente, foi testada uma adaptação da equação de Penman-Monteith para estimar a transpiração com base em medições periódicas da área foliar e em dados meteorológicos provenientes de uma estação automática instalada no centro do experimento. Na segunda etapa, cinco meses após o transplantio — quando as plantas apresentavam, em média, área foliar de 8,45 m², diâmetro de 3,61 cm e altura de 2,85 m —, foram aplicados três níveis de disponibilidade hídrica no substrato: 100% (Tratamento 1), 60% (Tratamento 2) e 40% da CMRA (Tratamento 3). Durante o período de restrição hídrica, foram avaliados parâmetros fisiológicos como fotossíntese líquida, transpiração, condutância estomática, rendimento quântico do fotossistema II (Fv/Fm), potencial hídrico foliar e temperatura da folha. Após cinco dias de restrição, a irrigação foi restabelecida para todos os tratamentos, e os mesmos parâmetros foram novamente avaliados para verificar a recuperação das plantas. Os resultados da primeira etapa demonstraram que o modelo proposto para estimativa da transpiração diária e horária apresentou bom desempenho quando ajustado pela área foliar, evidenciado pelos altos valores de coeficiente de determinação (R²) e baixos valores de erro quadrático médio (RMSE) e erro absoluto médio (MAE). A inclusão da área foliar como variável independente foi essencial para uma modelagem precisa da transpiração, especialmente em árvores jovens, fase crítica do desenvolvimento em campo e na qual geralmente há escassez de estimativas confiáveis. No aspecto fisiológico, analisado na segunda etapa, a restrição hídrica causou efeitos deletérios progressivos nas plantas jovens do clone avaliado, comprometendo o consumo hídrico, a transpiração, a condutância estomática, a fotossíntese líquida e a eficiência do fotossistema II. Tais alterações culminaram em danos morfológicos, como intensificação da abscisão de folhas basais e aumento da temperatura das folhas, sobretudo sob restrição severa. De forma geral, os resultados reforçam a importância de considerar variáveis estruturais, como a área foliar, na modelagem da transpiração. Além disso, evidenciam a vulnerabilidade fisiológica de plantas jovens de eucalipto frente à limitação hídrica, destacando a necessidade de estratégias de manejo mais eficazes para garantir o desempenho funcional em condições de estresse.
